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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Obesidade

A obesidade é uma doença crônica, com causas biológicas, genéticas e ambientais. O tratamento começa entendendo por que o seu peso se comporta como se comporta.

Mulher de blazer caminha tranquila por uma avenida arborizada de São Paulo pela manhã

O que é

A obesidade é o acúmulo de gordura corporal em quantidade que prejudica a saúde. Ela é reconhecida como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde e pelas sociedades médicas, e não como falta de força de vontade. O corpo tem mecanismos fortes para defender o peso que já atingiu: depois de uma perda, a fome aumenta e o gasto de energia diminui. É por isso que tantas dietas funcionam por alguns meses e depois deixam de funcionar.

Os números no Brasil

Pela Pesquisa Nacional de Saúde 2019, do IBGE, a proporção de pessoas com obesidade entre os adultos com 20 anos ou mais dobrou entre 2003 e 2019: de 12,2% para 26,8%. Entre as mulheres, subiu de 14,5% para 30,2%; entre os homens, de 9,6% para 22,8%. Em 2019, uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais tinha obesidade, cerca de 41 milhões de brasileiros, e o excesso de peso atingia 60,3% da população adulta, ou 96 milhões de pessoas.

O crescimento acontece num ambiente que favorece o ganho de peso: alimentos baratos, muito palatáveis e com alta densidade calórica, e cada vez menos gasto de energia no dia a dia. A mesma tendência aparece em crianças e adolescentes.

Por que acontece

A causa é complexa e multifatorial: o balanço entre a energia que entra e a que sai perde a regulação. Entram nessa conta:

  • fatores ambientais, como os hábitos alimentares aprendidos em família e na comunidade;
  • fatores sociais e culturais: a comida como parte de rituais e de convívio, que influencia apetite, recompensa e prazer;
  • sistemas hormonais centrais e periféricos, que controlam fome e saciedade e o gasto de energia;
  • genética: muitas pessoas são mais suscetíveis ao ganho de peso do que outras, com grande variabilidade;
  • medicamentos, sono ruim, estresse crônico e algumas doenças hormonais.

Peso total, massa magra, gordura corporal, idade e sexo explicam cerca de 80% da variação do metabolismo de repouso entre as pessoas. A página sobre a fisiopatologia da obesidade aprofunda esses mecanismos.

Como se mede

O índice de massa corporal (IMC), o peso dividido pela altura ao quadrado, é o ponto de partida. Pelo critério da OMS, IMC de 25 a 29,9 kg/m² indica sobrepeso e IMC a partir de 30 kg/m² indica obesidade, dividida em grau 1 (30 a 34,9), grau 2 (35 a 39,9) e grau 3 (40 ou mais).

O IMC sozinho não conta a história inteira. Ele não diferencia músculo de gordura e não mostra onde a gordura está. Por isso a avaliação inclui a circunferência da cintura, que estima a gordura abdominal, a composição corporal quando indicada, e a pergunta mais importante: o excesso de gordura já está afetando algum órgão ou função? Pressão alta, pré-diabetes, gordura no fígado, apneia do sono, dor nas articulações e alterações do ciclo menstrual são exemplos.

Como se investiga

Antes de falar em tratamento, a consulta procura o que está por trás do ganho de peso:

  • a história do peso ao longo da vida, e o que aconteceu nos períodos de ganho;
  • sono, estresse, horário de trabalho, alimentação e atividade física;
  • remédios que favorecem ganho de peso, como alguns antidepressivos, corticoides e anticonvulsivantes;
  • doenças hormonais que podem contribuir, como hipotireoidismo e síndrome de Cushing, investigadas quando há sinais para isso;
  • as complicações já presentes, com exames de glicose, colesterol, função do fígado e dos rins, entre outros.

Opções de tratamento

O tratamento é individual e costuma combinar mais de uma frente:

  • Mudanças de alimentação, atividade física e sono, construídas para caber na sua rotina. São a base de qualquer plano.
  • Medicamentos antiobesidade, quando há indicação. As classes mais recentes, como os agonistas do receptor de GLP-1, mudaram o tratamento nos últimos anos. Eles têm contraindicações, efeitos colaterais e exigem acompanhamento médico. Não são indicados para todo mundo e não substituem os cuidados com alimentação e atividade física.
  • Cirurgia bariátrica, avaliada com cirurgião e equipe multidisciplinar em situações específicas, como obesidade grau 3 ou grau 2 com complicações. Veja a página sobre cirurgia bariátrica.

O objetivo do tratamento não é um número na balança. É reduzir o risco das doenças associadas, melhorar a função do corpo e a qualidade de vida, e manter isso ao longo do tempo. A quantidade de peso perdida varia muito entre as pessoas, e nenhum médico pode prometer um resultado.

Por que o acompanhamento é contínuo

Como toda doença crônica, a obesidade tende a voltar quando o tratamento é interrompido. Estudos com medicamentos mostram recuperação de parte do peso depois da suspensão. Por isso o plano é revisado ao longo do tempo, com ajustes de dose, de estratégia e de metas. O Dr. Lucas atendeu por cinco anos no Ambulatório de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde esse acompanhamento de longo prazo faz parte da rotina.

Perguntas frequentes

Obesidade é falta de força de vontade?

Não. É uma doença crônica com base biológica. O corpo defende o peso que atingiu com mais fome e menos gasto de energia depois de qualquer perda, e a genética explica boa parte da diferença entre as pessoas. Força de vontade ajuda a seguir um plano, mas não explica a doença.

Existe um remédio que resolve?

Não existe remédio que resolva sozinho. Os medicamentos antiobesidade ajudam parte das pessoas quando há indicação, com acompanhamento e junto das mudanças de hábito, e o efeito depende de continuar o tratamento. A escolha é feita em consulta, considerando contraindicações e riscos.

Preciso fazer exames antes de começar?

Sim. Exames de glicose, colesterol, função do fígado, dos rins e da tireoide, entre outros, mostram se já há complicações e se alguma doença contribui para o ganho de peso. Eles também servem de comparação ao longo do acompanhamento.

Quando a cirurgia é considerada?

Em geral, em obesidade grau 3, ou grau 2 com doenças associadas, quando o tratamento clínico bem conduzido não foi suficiente. A decisão é conjunta, com cirurgião e equipe multidisciplinar, e exige acompanhamento pelo resto da vida.

Fontes

  • IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: atenção primária à saúde e informações antropométricas. Rio de Janeiro, 2020.
  • Organização Mundial da Saúde. Obesity and overweight, fact sheet.
  • Rubino F, et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2025.

Última atualização do texto: 25/09/2026.

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