Testosterona e saúde do homem
Testosterona baixa num exame não é, sozinha, um diagnóstico. A reposição é tratamento para quem tem hipogonadismo confirmado, e não para estética ou desempenho.

O que é hipogonadismo masculino
Hipogonadismo é quando os testículos produzem menos testosterona do que o corpo precisa. Pode ter origem nos próprios testículos ou na hipófise e no hipotálamo, que comandam essa produção. Obesidade, diabetes tipo 2, alguns remédios, uso prévio de anabolizantes, apneia do sono e doenças crônicas também reduzem a testosterona.
A queda gradual da testosterona com a idade, às vezes chamada de andropausa, é diferente da menopausa: ela é lenta, não acontece em todos os homens e nem sempre causa sintomas. O termo andropausa não é usado nas diretrizes justamente para não sugerir que todo homem mais velho precise de reposição.
Sinais possíveis
- diminuição do desejo sexual e da ereção matinal;
- disfunção erétil;
- cansaço, desânimo e dificuldade de concentração;
- perda de massa muscular e aumento de gordura;
- perda de pelos e, com o tempo, perda de massa óssea.
São sintomas inespecíficos, comuns também em quem dorme mal, tem depressão, trabalha demais ou tem outras doenças. Por isso a investigação vai além da dosagem hormonal.
Como se confirma
A testosterona varia ao longo do dia e cai com doença aguda, noites mal dormidas e jejum prolongado. As diretrizes pedem:
- dosagem de testosterona total pela manhã, em jejum;
- confirmação com um segundo exame em outro dia, quando o primeiro vem baixo;
- dosagem de LH e FSH, que mostram se o problema está nos testículos ou no comando pela hipófise;
- outros exames conforme o caso, como prolactina, ferro, hemograma e PSA.
O diagnóstico só é feito quando há sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada.
Quando a reposição é indicada
A reposição de testosterona é indicada para homens com hipogonadismo confirmado. Ela pode melhorar desejo sexual, energia, massa óssea e anemia nessa situação.
Ela não é indicada para ganho de massa muscular, desempenho esportivo ou finalidade estética em quem tem testosterona normal. A Resolução CFM nº 2.333/2023 veda a prescrição de hormônios com essas finalidades.
Antes de iniciar, é preciso avaliar planos de ter filhos, porque a testosterona de fora reduz a produção de espermatozoides. Nesse caso, há outras estratégias.
O que os estudos mostram sobre segurança
Durante anos houve dúvida sobre o efeito da reposição no coração e na próstata. O estudo TRAVERSE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mais de 5 mil homens com hipogonadismo e risco cardiovascular elevado. A reposição não aumentou eventos cardiovasculares graves em comparação com placebo. Uma análise do mesmo estudo não encontrou diferença significativa na incidência de câncer de próstata.
Isso vale para quem tem indicação e acompanhamento. O estudo registrou mais casos de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda no grupo tratado, e o tratamento exige controle periódico de hematócrito, PSA e sintomas.
Perguntas frequentes
Testosterona baixa num exame já indica reposição?
Não. O exame precisa ser repetido pela manhã, em jejum, e interpretado junto com os sintomas e com o LH e o FSH. Muitos valores baixos se normalizam na repetição ou têm causa tratável, como obesidade e apneia do sono.
Reposição de testosterona causa câncer de próstata?
Os dados do estudo TRAVERSE não mostraram aumento significativo da incidência em homens com hipogonadismo tratados com acompanhamento. Homens com câncer de próstata ativo não devem usar. O PSA é monitorado durante o tratamento.
Posso usar testosterona para ganhar músculo?
Não. Sem hipogonadismo, o uso é vedado pelo CFM e traz riscos reais: infertilidade, aumento do hematócrito, alterações do fígado e do coração. Este site não orienta esse uso.
Perder peso aumenta a testosterona?
Sim, em muitos homens com obesidade a testosterona sobe com a perda de peso e com o tratamento da apneia do sono. Tratar a causa vem antes de repor o hormônio.
Fontes
- Bhasin S, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018.
- Lincoff AM, et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. New England Journal of Medicine, 2023 (estudo TRAVERSE).
- Bhasin S, et al. Prostate Safety Events During Testosterone Replacement Therapy in Men With Hypogonadism. JAMA Network Open, 2023.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023.
Última atualização do texto: 25/09/2026.