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Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

Menstruação que atrasa, pelos a mais e dificuldade para perder peso costumam ser tratados como três problemas separados. Na síndrome dos ovários policísticos são faces de um mesmo quadro hormonal e metabólico, que precisa ser diagnosticado com critério e tratado em camadas, não com um remédio único.

Ilustração em tinta sobre papel de um ovário com folículos, do pâncreas e de um calendário ligados por setas
O ovário com muitos folículos, o pâncreas que produz insulina e o calendário da menstruação pertencem ao mesmo quadro: a síndrome mexe com hormônios, ciclo e metabolismo ao mesmo tempo. Ilustração esquemática.

O que é

A síndrome dos ovários policísticos, ou SOP, é a alteração hormonal mais comum da mulher em idade fértil: atinge cerca de uma em cada oito a dez mulheres. O nome engana. Os "cistos" do ultrassom são folículos, pequenas bolsas que guardam os óvulos e que, na síndrome, param de amadurecer. O problema de fundo é hormonal e metabólico: os ovários produzem hormônio masculino a mais, a ovulação falha e, em boa parte das mulheres, o corpo responde mal à insulina, o hormônio que coloca o açúcar do sangue para dentro das células.

Por isso a síndrome se mostra de três jeitos ao mesmo tempo: menstruação que atrasa ou some, sinais de excesso de hormônio masculino (pelo grosso no rosto e no corpo, acne persistente, queda de cabelo no alto da cabeça) e tendência a ganhar peso, a pré-diabetes e a alteração de colesterol. Nem toda mulher tem os três, e nem toda mulher com a síndrome está acima do peso.

Quando investigar

Menstruação irregular na vida adulta é o motivo mais frequente. Ciclos com mais de 35 dias, menos de oito menstruações por ano ou ausência de menstruação por mais de três meses pedem avaliação. Pelos a mais, acne persistente e dificuldade para engravidar são os outros caminhos de chegada.

Há também o caminho inverso: a mulher descobre pré-diabetes, gordura no fígado ou triglicerídeos altos em um check-up, e a história menstrual revela a síndrome por trás.

Como se investiga

O diagnóstico segue a diretriz internacional de 2023 e exige dois de três critérios: ciclos irregulares ou ausência de ovulação; excesso de hormônio masculino, visível no exame físico ou dosado no sangue; e ovários com muitos folículos no ultrassom ou hormônio antimülleriano elevado, uma alternativa ao ultrassom aceita em mulheres adultas. O ultrassom não serve para diagnosticar nos primeiros oito anos depois da primeira menstruação, quando o ovário normalmente tem muitos folículos. Antes de fechar o diagnóstico, é preciso afastar outras causas com sintomas parecidos: tireoide, prolactina, hiperplasia adrenal congênita, síndrome de Cushing e, raramente, tumores que produzem androgênio.

A parte hormonal é colhida de preferência pela manhã, na primeira fase do ciclo e fora do uso de anticoncepcional, que mascara as dosagens. Testosterona total e livre, ou o índice de androgênio livre, medem o excesso de hormônio masculino; a testosterona total deve ser dosada por espectrometria de massas, porque o exame comum erra nos valores baixos da mulher. O SDHEA reflete a produção das glândulas adrenais e, quando muito alto, desvia a investigação para elas. A 17-hidroxiprogesterona rastreia a hiperplasia adrenal congênita, que imita a síndrome. A SHBG, proteína que transporta a testosterona, cai com a resistência à insulina e entra no cálculo da fração livre. Prolactina e TSH afastam causas de hipófise e tireoide. LH e FSH, os hormônios da hipófise que comandam o ovário, só fazem sentido lidos em contexto: sozinhos não confirmam nem excluem o diagnóstico. O hormônio antimülleriano entra quando substitui o ultrassom.

A parte metabólica é obrigatória em toda mulher com a síndrome, magra ou não, porque o risco de diabetes é maior independentemente do peso. Glicemia de jejum e, de preferência, a curva glicêmica com 75 gramas de glicose, que a diretriz prefere porque flagra a alteração que o jejum deixa passar; hemoglobina glicada; perfil de colesterol e triglicerídeos; pressão arterial e medida da cintura. As enzimas do fígado e, quando indicado, o ultrassom do abdome procuram gordura no fígado, frequente nessas mulheres. O rastreio se completa com perguntas sobre apneia do sono, ansiedade e depressão, mais frequentes na síndrome e que costumam passar despercebidas.

O tratamento

Não existe um remédio único. O tratamento é montado em camadas, a partir do que incomoda e do que os exames mostraram.

A base é o estilo de vida: alimentação, atividade física e sono. Em quem tem excesso de peso, uma redução de 5 a 10% do peso corporal já melhora a regularidade dos ciclos e reduz os androgênios, sem meta rígida nem dieta punitiva.

Para o ciclo e os sinais de androgênio, o anticoncepcional combinado é a primeira escolha em quem não quer engravidar: regula a menstruação, protege o endométrio e reduz a produção de hormônio masculino pelos ovários. Quando os pelos não respondem depois de alguns meses, um antiandrogênio pode ser associado, sempre com contracepção segura. A metformina reduz a resistência à insulina e ajuda na glicemia e no peso; é a escolha quando há resistência à insulina ou pré-diabetes, ou quando o anticoncepcional não é desejado. Quando há obesidade, os medicamentos para obesidade entram no plano. O inositol tem evidência limitada e não substitui o tratamento.

Para quem quer engravidar, o caminho é outro: o letrozol é a primeira escolha para induzir a ovulação, com acompanhamento do ginecologista. A depilação a laser trata o pelo que já existe e faz mais sentido depois que a causa foi controlada.

Como é o acompanhamento no consultório

O Dr. Lucas conduz a parte hormonal e metabólica. Na primeira consulta, revê a história menstrual, os sinais de androgênio e os exames já feitos e pede o que falta. A bioimpedância entra na avaliação inicial e nos retornos, porque mede gordura e músculo, e não só o peso, junto com a medida da cintura.

O plano é revisto conforme a resposta: regularidade dos ciclos, pelos, acne, peso e glicemia. Os exames metabólicos são repetidos pelo menos uma vez por ano, ou antes quando há pré-diabetes. Quando existe desejo de gestação, o trabalho é conjunto com o ginecologista, que conduz a indução da ovulação enquanto o metabolismo é preparado para a gravidez. Cada mulher tem uma combinação própria de sintomas e riscos, e é isso que a avaliação individual precisa descobrir.

Perguntas frequentes

O ultrassom diz "ovários policísticos". Isso é a síndrome?

Não necessariamente. Muitas mulheres com menstruação regular e sem sinal de androgênio têm esse achado. O diagnóstico exige dois de três critérios e a exclusão de outras causas. A imagem sozinha é um achado, não uma doença. O artigo do blog sobre a síndrome explica os critérios em detalhe.

Sou magra. Preciso fazer os exames metabólicos?

Sim. O risco de resistência à insulina e de diabetes é maior em toda mulher com a síndrome, independentemente do peso. A diretriz recomenda a curva glicêmica, a hemoglobina glicada e o perfil lipídico para todas, com repetição periódica.

A síndrome tem cura?

É uma condição que acompanha a mulher, mas que se controla. Ciclos e androgênios tendem a melhorar com a idade, enquanto o risco metabólico persiste e precisa de vigilância. O tratamento acompanha essas fases.

Fontes

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