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Gastroplastia endoscópica

A gastroplastia endoscópica reduz o estômago com suturas feitas por dentro, pela boca, sem cortes. É uma opção intermediária entre o tratamento clínico e a cirurgia bariátrica, para casos selecionados e sempre com acompanhamento.

Ilustração em tinta sobre papel da gastroplastia endoscópica, com o endoscópio dentro do estômago à esquerda e o estômago pregueado por suturas internas à direita
À esquerda, o endoscópio passa pela boca até o estômago e faz as suturas por dentro. À direita, o estômago pregueado pelas suturas, em forma de tubo, sem nenhuma parte retirada. Ilustração esquemática.

O que é

A gastroplastia endoscópica, também chamada de sleeve endoscópico ou gastroplastia vertical endoscópica, é um procedimento para o tratamento da obesidade feito por endoscopia. Um aparelho flexível entra pela boca até o estômago e, com um dispositivo de sutura acoplado à ponta, costura a parede do estômago por dentro, em pontos que atravessam toda a sua espessura. As suturas pregueiam o estômago e reduzem o seu volume, deixando-o com um formato parecido com um tubo.

Não há cortes na pele e nenhuma parte do estômago é retirada. Por isso ela é descrita como um procedimento minimamente invasivo, diferente da gastrectomia vertical cirúrgica, em que cerca de 80% do estômago é removido.

Como o procedimento é feito

É realizado em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, por um médico endoscopista treinado na técnica. Costuma durar de uma a duas horas, e a maioria das pessoas recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte. Nos primeiros dias são comuns dor abdominal, náusea e enjoo, controlados com medicação. A alimentação volta por etapas: líquidos, depois pastosos, depois sólidos, ao longo de algumas semanas, com orientação da nutricionista.

O estômago menor enche mais rápido e esvazia mais devagar, o que aumenta a saciedade e reduz a quantidade de alimento em cada refeição. O efeito depende da combinação com a mudança da alimentação e com atividade física, e do acompanhamento.

Para quem é indicada

As diretrizes e os estudos consideram a gastroplastia endoscópica para adultos com obesidade, em geral com IMC entre 30 e 40, que não conseguiram resultado suficiente com o tratamento clínico, e que não têm indicação, não querem ou não podem fazer a cirurgia bariátrica. Também é avaliada em pessoas com IMC acima de 40 que recusam a cirurgia, caso a caso.

Não é indicada quando há hérnia de hiato grande, úlcera ou outras doenças ativas do estômago, distúrbios de coagulação, gestação, ou doença psiquiátrica grave não controlada. A avaliação inclui endoscopia prévia, exames de sangue e a investigação de doenças hormonais que precisam ser tratadas antes, como hipotireoidismo e alterações do cortisol.

A decisão é individual. Ela compara, para cada pessoa, o que se espera da gastroplastia com o que se espera dos medicamentos antiobesidade e da cirurgia, incluindo riscos, custos e a disposição para manter o acompanhamento.

O que os estudos mostram

O estudo de melhor qualidade até agora, o ensaio clínico MERIT, publicado na revista The Lancet em 2022, acompanhou 209 adultos com IMC entre 30 e 40 nos Estados Unidos. Metade fez a gastroplastia endoscópica junto com mudanças de estilo de vida, e a outra metade fez só as mudanças de estilo de vida. Depois de um ano, o grupo da gastroplastia perdeu em média 13,6% do peso corporal total, contra 0,8% no grupo de controle. Eventos adversos graves ocorreram em 2% das pessoas, todos resolvidos sem cirurgia.

Um acompanhamento de cinco anos de 216 pessoas, publicado em Clinical Gastroenterology and Hepatology em 2021, encontrou perda média em torno de 15% do peso corporal total ao fim desse período, com parte das pessoas recuperando peso ao longo do tempo. Revisões sistemáticas reúnem resultados parecidos: perda média de 15 a 17% do peso em um ano, abaixo do que se vê com a cirurgia bariátrica e acima do que se vê com dieta e exercício isolados.

O que esses números não dizem: eles são médias de grupos. A variação entre as pessoas é grande, e nenhum médico pode garantir quanto uma pessoa vai perder. Também não há estudos de longo prazo comparando diretamente a gastroplastia endoscópica com os medicamentos mais novos para obesidade.

Riscos e complicações

Os efeitos mais comuns são dor abdominal, náusea e vômito nos primeiros dias. Complicações mais sérias são raras e incluem sangramento, coleção de líquido ao redor do estômago, perfuração e pneumoperitônio, que em geral são tratados sem cirurgia. Como as suturas podem afrouxar com o tempo, parte do efeito pode diminuir ao longo dos anos, e o peso pode voltar a subir. Diferente da cirurgia, o procedimento pode, em princípio, ser desfeito ou revisado, mas isso não deve ser tratado como garantia.

O acompanhamento depois

A gastroplastia é uma ferramenta, não o tratamento inteiro. A obesidade continua sendo uma doença crônica, e o acompanhamento clínico e nutricional segue depois do procedimento: ajuste da alimentação, atividade física, avaliação de vitaminas e minerais, controle de glicose, pressão e colesterol, e a decisão, caso a caso, sobre associar medicação antiobesidade. As consultas são mais próximas no primeiro ano e depois seguem a frequência de qualquer doença crônica.

No consultório, o papel do endocrinologista é avaliar se a indicação faz sentido, preparar a pessoa para o procedimento e conduzir o acompanhamento metabólico depois dele, em conjunto com a equipe de endoscopia e a nutricionista.

Perguntas frequentes

Gastroplastia endoscópica é cirurgia?

Não. É um procedimento endoscópico, feito pela boca, sob anestesia geral, sem cortes e sem retirada de parte do estômago. Por isso a recuperação costuma ser mais rápida do que a da cirurgia bariátrica.

Ela substitui a cirurgia bariátrica?

Não. Em média, a perda de peso é menor do que a da cirurgia. Ela é uma opção para quem tem obesidade grau 1 ou 2 e não tem indicação, não quer ou não pode operar, e precisa de mais do que o tratamento clínico ofereceu.

Dá para associar medicação depois?

Sim. Em casos selecionados, medicamentos antiobesidade podem ser usados junto com o procedimento ou depois dele, por indicação médica. A decisão é individual e considera riscos, benefícios e contraindicações.

O peso volta?

Em parte das pessoas, algum reganho acontece ao longo dos anos. Isso é esperado em qualquer tratamento da obesidade e é um dos motivos para manter o acompanhamento. Nenhum resultado é garantido.

Quanto peso eu vou perder?

Varia muito de pessoa para pessoa. Os estudos mostram médias de grupo, não previsões individuais. O acompanhamento mede o que muda em cada caso, com exames e composição corporal.

Fontes

  • Abu Dayyeh BK, et al. Endoscopic sleeve gastroplasty for treatment of class 1 and 2 obesity (MERIT): a prospective, multicentre, randomised trial. The Lancet, 2022.
  • Sharaiha RZ, et al. Five-year outcomes of endoscopic sleeve gastroplasty for the treatment of obesity. Clinical Gastroenterology and Hepatology, 2021.
  • Hedjoudje A, et al. Efficacy and safety of endoscopic sleeve gastroplasty: a systematic review and meta-analysis. Clinical Gastroenterology and Hepatology, 2020.
  • American Society for Gastrointestinal Endoscopy (ASGE). Guideline on primary endoscopic bariatric and metabolic therapies for adults with obesity. Gastrointestinal Endoscopy, 2021.
  • Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Orientações sobre procedimentos endoscópicos para obesidade.
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