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Queda de hormônios masculinos com a idade

Cansaço, perda de força e queda do desejo sexual depois dos 40 levantam a pergunta sobre a testosterona. A resposta exige exames repetidos, a busca de causas reversíveis e critérios claros de indicação. Aqui está como a endocrinologia faz essa avaliação.

Ilustração em tinta sobre papel do eixo hipófise-testículos e de uma curva que desce devagar, representando a queda da testosterona com a idade
A testosterona cai de 1% a 2% ao ano a partir dos 40 anos. Na maioria dos homens, essa queda não causa sintomas nem é doença. Ilustração esquemática.

O eixo que comanda a testosterona

O hipotálamo libera o GnRH em pulsos; a hipófise responde com o LH e o FSH; os ovários e os testículos respondem com estrogênio, progesterona e testosterona. É o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Ele é sensível a quase tudo: peso, sono, estresse, exercício em excesso, outras glândulas (tireoide, adrenais, prolactina) e medicamentos. Por isso, uma testosterona baixa raramente é um problema "do testículo" isolado. A investigação procura em que ponto do eixo o sinal se perdeu.

O que acontece

A testosterona cai devagar com o envelhecimento, em média 1% a 2% ao ano a partir dos 40 anos, e a proteína que a transporta (SHBG) sobe, o que reduz a fração livre. Na maioria dos homens essa queda não causa sintoma e não é doença. O hipogonadismo de início tardio, que combina testosterona baixa confirmada com sintomas compatíveis, é bem menos comum do que se divulga: no European Male Ageing Study, com mais de 3 mil homens de 40 a 79 anos, cerca de 2% preenchiam os critérios, e a frequência subia com a idade e, principalmente, com a obesidade.

Os sintomas que contam

Os mais ligados à testosterona baixa são a queda do desejo sexual, a redução das ereções espontâneas pela manhã e a disfunção erétil. Cansaço, humor baixo, perda de força e de massa muscular, aumento da gordura abdominal e perda de massa óssea podem acompanhar, mas são inespecíficos e têm muitas outras causas, como sono ruim, apneia, depressão, obesidade e medicamentos.

Como se confirma

A testosterona total é dosada pela manhã, entre 7h e 10h, em jejum, e repetida em outro dia, porque varia bastante. Duas dosagens baixas com sintomas compatíveis definem o hipogonadismo. LH e FSH dizem se o problema está nos testículos (LH alto) ou no comando, na hipófise e no hipotálamo (LH normal ou baixo), o que muda a investigação: prolactina, ferritina, ressonância da hipófise em casos selecionados. SHBG, albumina e, quando preciso, a testosterona livre calculada ajudam a interpretar valores limítrofes, sobretudo na obesidade e em quem usa certos medicamentos.

Causas que se tratam sem repor hormônio

Obesidade, apneia do sono, diabetes descompensado, uso de opioides, corticoides, anabolizantes e alguns outros medicamentos, doenças agudas e crônicas, e excesso de álcool reduzem a testosterona. Tratar a causa costuma elevar os níveis, e a perda de peso, quando indicada, é uma das medidas mais efetivas.

Quando a reposição é indicada

A reposição é indicada quando há hipogonadismo confirmado, depois de afastadas e tratadas as causas reversíveis, e depois de avaliar contraindicações como câncer de próstata ou de mama, desejo de ter filhos nos próximos anos (a testosterona externa suprime a produção de espermatozoides), hematócrito elevado, apneia grave não tratada e insuficiência cardíaca descompensada. Não é indicada para "melhorar o desempenho", ganhar massa muscular ou reverter o envelhecimento em quem tem níveis normais. A página sobre testosterona e saúde do homem detalha critérios, vias de administração e o acompanhamento, incluindo o que o estudo TRAVERSE mostrou sobre risco cardiovascular.

Perguntas frequentes

Testosterona baixa num exame já indica reposição?

Não. Uma única dosagem baixa, principalmente colhida à tarde ou durante uma doença, não define o diagnóstico. É preciso repetir pela manhã, confirmar os sintomas e procurar as causas reversíveis antes de pensar em reposição.

O endocrinologista substitui o ginecologista ou o urologista?

Não. Ele investiga e trata a parte hormonal e metabólica, e trabalha junto com a ginecologia, quando há causa uterina, contracepção ou gestação em jogo, e com a urologia, nas questões de próstata e fertilidade.

Fontes

  • Wu FCW, et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men (European Male Ageing Study). New England Journal of Medicine, 2010.
  • Bhasin S, et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2018.
  • Lincoff AM, et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy (TRAVERSE). New England Journal of Medicine, 2023.
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