Pular para o conteúdo

Início › Tratamentos

Excesso de pelos e de hormônios masculinos na mulher

Pelos onde a mulher normalmente não tem, acne que não passa e cabelo que rareia são sinais de que o corpo está produzindo hormônio masculino a mais. Na maioria das vezes a causa é a síndrome dos ovários policísticos, mas a avaliação existe para não deixar passar a minoria que precisa de outro tratamento.

Ilustração em tinta sobre papel dos ovários e das glândulas adrenais ligados por setas a um folículo de pelo
Os ovários e as glândulas adrenais, que ficam sobre os rins, são as duas fontes de hormônio masculino na mulher. O excesso aparece primeiro na pele. Ilustração esquemática.

O que é

Toda mulher produz hormônios masculinos, os androgênios, nos ovários e nas glândulas adrenais, em quantidade pequena. Hiperandrogenismo é quando essa produção passa do ponto. O sinal mais comum é o hirsutismo: pelo grosso e escuro em áreas que dependem desses hormônios, como buço, queixo, peito, abdome, costas, braços e parte interna das coxas. Acne persistente, sobretudo na metade de baixo do rosto, queda de cabelo no alto da cabeça e menstruação irregular ou ausente completam o quadro. Em casos raros e graves, aparecem voz mais grossa, aumento da musculatura e do clitóris, o que se chama virilização.

O problema é frequente: pelo menos 10% das mulheres em idade fértil, e até 20% segundo estimativas mais recentes, têm excesso de hormônio masculino. Depois da menopausa a frequência é parecida, mas as causas mudam.

As causas, antes e depois da menopausa

Antes da menopausa, a síndrome dos ovários policísticos responde por mais de 80% dos casos. O restante se divide entre o hirsutismo sem alteração hormonal (a pele é mais sensível ao hormônio normal), a hiperplasia adrenal congênita, uma condição de nascença das glândulas adrenais, e, em menos de 1% dos casos, tumores do ovário ou da adrenal que produzem androgênio.

Depois da menopausa, a síndrome dos ovários policísticos deixa de ser diagnóstico. Quando o excesso de hormônio é patológico nessa fase, a causa mais comum é a hipertecose ovariana, um crescimento das células do ovário que produzem androgênio, seguida dos tumores de ovário e, menos frequentemente, de adrenal. Por isso, pelo que aparece ou piora depois da menopausa sempre pede investigação.

Os sinais que mudam a investigação

A velocidade importa mais do que a quantidade. Pelo que surge devagar, desde a adolescência, junto com menstruação irregular, é o padrão da síndrome dos ovários policísticos. Pelo que avança em poucos meses, voz que engrossa, músculos que crescem, clitóris que aumenta ou sintomas que começam depois da menopausa não combinam com a síndrome e levam a procurar um tumor. Sinais de excesso de cortisol, como rosto arredondado e avermelhado, estrias largas e roxas e hematomas fáceis, apontam para a síndrome de Cushing, que também pode causar pelos a mais.

Como se investiga

A avaliação começa pela conversa (idade de início, velocidade, ciclos, desejo de engravidar) e pelo exame físico, em que a distribuição dos pelos é pontuada por área, com pontos de corte que variam conforme a etnia.

Os dois primeiros exames de sangue são a testosterona total, dosada pela manhã e pelo método de espectrometria de massas, porque o exame comum (imunoensaio) erra nas concentrações baixas da mulher, e o DHEA-S, que reflete a produção das adrenais. Em mulheres antes da menopausa, entram ainda a 17-hidroxiprogesterona pela manhã, para rastrear a hiperplasia adrenal congênita, o TSH, a prolactina e o teste de gravidez. Androstenediona, testosterona livre e hormônio antimülleriano ajudam quando a menstruação é irregular.

Os exames de imagem são guiados pelo sangue, não pela quantidade de pelo. O ultrassom dos ovários entra quando a testosterona ultrapassa o limite, que é mais baixo depois da menopausa, porque a produção cai com a idade. A tomografia das adrenais fica reservada para DHEA-S muito elevado ou alterações nos testes de cortisol. Um laudo de ultrassom "normal" não exclui hipertecose na mulher depois da menopausa, porque o ovário dessa fase deveria ser pequeno; um volume acima do esperado já levanta suspeita.

O tratamento

Depende da causa, da idade, da intensidade dos sintomas e do desejo de engravidar. Na síndrome dos ovários policísticos em quem não está tentando engravidar, o contraceptivo combinado costuma ser a primeira opção, porque reduz a produção de androgênio pelos ovários; se a resposta for incompleta depois de cerca de seis meses, um antiandrogênio pode ser associado para pelos e acne. Esses medicamentos exigem contracepção confiável, porque podem afetar o feto. Quando há obesidade ou resistência à insulina, o tratamento do peso e do metabolismo entra junto, mas não substitui o tratamento hormonal.

Na hipertecose e nos tumores, a cirurgia costuma ser diagnóstica e curativa. Se os exames não normalizam com o tratamento inicial, ou se o DHEA-S continua subindo, a investigação é retomada, porque uma causa não suspeitada pode estar por trás.

Perguntas frequentes

Depilação a laser resolve?

Resolve o pelo que já existe, não a causa. Sem tratar o excesso de hormônio, o pelo volta. O ideal é tratar a causa e, em paralelo, cuidar do pelo com o método que a paciente preferir.

Pelo a mais sempre significa síndrome dos ovários policísticos?

Antes da menopausa, na grande maioria das vezes, sim. Mas a síndrome é um diagnóstico de exclusão: antes de fechá-lo, é preciso afastar a hiperplasia adrenal congênita, problemas de tireoide e prolactina e, pelos sinais de alerta, tumores.

Preciso de ultrassom ou tomografia?

Só quando os exames de sangue indicam. Pedir imagem pela quantidade de pelo, sem a dosagem hormonal pelo método certo, gera achados sem significado e deixa passar o que importa.

Fontes

Agendar consulta