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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Secura e desconforto íntimo na menopausa, o que é a síndrome geniturinária

Secura vaginal e dor na relação na menopausa têm nome e tratamento. Entenda a síndrome geniturinária, o estrogênio local e o que ajuda no desconforto.

Autor
Dr. Lucas Moura
Publicado
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4 min
Fontes
2 referências

Este é um dos sintomas da menopausa de que menos se fala, e um dos que mais afetam o dia a dia: a secura, o ardor e a dor na relação. Muita mulher convive com isso em silêncio, achando que é inevitável ou que não tem o que fazer. Tem nome, tem explicação e tem tratamento, e por isso vale trazer o assunto para a consulta.

O que é a síndrome geniturinária da menopausa

Com a queda do estrogênio, os tecidos da vagina, da vulva e da uretra ficam mais finos, menos elásticos e menos lubrificados. Esse conjunto de mudanças recebeu o nome de síndrome geniturinária da menopausa, um termo que substituiu as expressões antigas, como "atrofia vaginal", justamente porque o problema vai além da vagina e inclui sintomas urinários.

Os sintomas mais comuns são secura, ardor e irritação; dor na relação sexual; e queixas urinárias, como urgência, necessidade de urinar com frequência e infecções urinárias de repetição.

Por que ela é diferente dos outros sintomas

As ondas de calor costumam melhorar com o tempo. A síndrome geniturinária, não: como decorre de uma mudança estrutural dos tecidos pela falta de estrogênio, ela tende a persistir e até a piorar com os anos se não for tratada. Isso muda a lógica do manejo: aqui, o tratamento costuma ser contínuo, não um alívio pontual.

O que ajuda

Há caminhos com níveis diferentes de abordagem, e a escolha depende da intensidade dos sintomas e do seu histórico.

  • Hidratantes e lubrificantes vaginais. Os hidratantes são de uso regular e ajudam a manter a mucosa; os lubrificantes são usados no momento da relação. São uma primeira linha razoável, especialmente em sintomas leves, e não contêm hormônio.
  • Estrogênio vaginal (local). Quando os sintomas são mais importantes, o estrogênio aplicado localmente, em baixa dose, é um dos tratamentos mais eficazes. Uma revisão sistemática sobre tratamentos hormonais e hidratantes vaginais apoia o uso dessas opções para a síndrome geniturinária.

Um ponto que costuma tranquilizar: o estrogênio vaginal em baixa dose age localmente e tem absorção sistêmica muito pequena, diferente da terapia hormonal por comprimido ou adesivo. Por isso ele pode ser uma opção mesmo para mulheres cujo foco de queixa é só geniturinário, sem indicação de terapia sistêmica.

E quem já teve câncer de mama

Essa é uma dúvida frequente e delicada. Para mulheres que tiveram câncer de mama, a decisão sobre estrogênio vaginal é individualizada e compartilhada com o oncologista. Uma revisão sobre a segurança do estrogênio vaginal em sobreviventes de câncer de mama discute justamente esse cenário, em que se pesa o alívio do sintoma contra a história oncológica. Começar pelos hidratantes e lubrificantes não hormonais costuma ser o primeiro passo, e qualquer uso de hormônio, mesmo local, passa pela equipe que acompanha o caso. Não é uma decisão para tomar sozinha nem para resolver pela internet.

Falar sobre isso é parte do tratamento

O maior obstáculo, muitas vezes, não é a falta de opção, é o silêncio. A síndrome geniturinária afeta a vida sexual, o sono, o conforto para sentar e caminhar, e a confiança. E nada disso precisa ser suportado como se fosse o preço da idade. Levar o assunto para a consulta, com as palavras que você tiver, é o que abre a porta para o tratamento certo para o seu caso.

Perguntas frequentes

A secura vaginal da menopausa tem cura?

Ela tem tratamento eficaz e controle contínuo, mais do que "cura" no sentido de resolver de vez. Como decorre da queda do estrogênio, costuma precisar de manejo mantido, mas o alívio dos sintomas é real e consistente.

O estrogênio vaginal é perigoso como a reposição por comprimido?

O estrogênio vaginal em baixa dose age localmente e tem absorção para o corpo muito pequena, o que o diferencia da terapia sistêmica. Ainda assim, o uso é orientado conforme o seu histórico, especialmente se houver antecedente de câncer.

Lubrificante resolve ou preciso de hormônio?

Depende da intensidade. Em sintomas leves, hidratantes e lubrificantes podem ser suficientes. Quando o desconforto é importante ou há sintomas urinários, o estrogênio local costuma ser mais eficaz. A consulta ajuda a definir por onde começar.

Fontes

Dr. Lucas MouraMédico · CRM-SP 125.324
Endocrinologia e Metabologia RQE 36687
Clínica Médica RQE 36686
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta; a conduta é individual.

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